Supersalários: Retrato de uma economia doente
A existência dos supersalários no
Judiciário brasileiro é a prova cabal de que uma economia de mercado não pode
se desenvolver de maneira saudável neste país. O absurdo começa com a conversão
de verbas remuneratórias em indenizatórias, para que não se sujeitem ao teto
constitucional. As indenizações são diversas, incluindo quinquênio,
licença-compensatória, gratificação por exercício cumulativo, licença-prêmio,
uso de veículo próprio, auxílio-creche, entre outras.
É revelador que aproximadamente 1,6% do PIB brasileiro é
gasto para manter o Judiciário e seus privilégios. A título de comparação, a
França, em 2022, dedicou 0,2% do seu PIB ao financiamento de seu Sistema
Judiciário; a Itália, 0,31%. O alto custo do Judiciário brasileiro reflete a
cultura do bacharelismo, do privilégio concedido às elites burocráticas, que,
supervalorizadas, crescem em arrogância e fome de poder. Quanto mais
privilégios têm, mais desejam. Um abismo se revela entre a remuneração da elite
burocrática brasileira e o que, em média, ganha um empreendedor no país. Para
exemplificar, promotores de justiça de Santa Catarina ganham acima de 90 mil
líquidos mensais; promotores substitutos do Mato Grosso do Sul iniciam a
carreira ganhando aproximadamente 50 mil reais líquidos mensais.
A cultura das massas no Brasil é, ainda, carregada do desejo
de alcançar um cargo público. Uma empresa que vende cursinhos, explorando os
preconceitos disseminados, anuncia seus produtos com slogans como “Nunca mais
seja demitido”, insinua que quem trabalha em uma empresa está
constantemente ameaçado de demissão, e ao final relata que a remuneração
média no setor público é mais alta em comparação com empregos no setor privado.
Tudo isso é o oposto do que ocorre no mundo capitalista. Em países capitalistas, o setor público pode até oferecer um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mas, de modo geral, paga menos que o setor privado. No Brasil, o setor público, além de ser onde se trabalha menos, geralmente paga melhor que o privado. Parece um ciclo vicioso: o sonho de todos é ser um burocrata, e quem se aventura no comércio ou em profissões liberais acaba tendo de ouvir em círculos próximos palpites não solicitados sobre caminhos profissionais – geralmente enfatizando as vantagens dos empregos públicos.
Quem nunca ouviu de um parente, “Fulano foi aprovado em concurso e ganhará super bem. Você nunca pensou em fazer concurso
também?”. No Brasil, além de a iniciativa privada ter de sobreviver ao peso de
regulamentos impossíveis de cumprir, parece que é feio trabalhar em uma
empresa privada.
É preciso mudar nossa mentalidade, porque somente o exercício da livre atividade econômica, aliado à inovação, pode suprir as necessidades do povo, gerar
riqueza e aumentar o nível geral de prosperidade dos cidadãos. Ainda, é urgente limitar os ganhos desproporcionais e cortar os privilégios
dos membros da burocracia.
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