Supersalários: Retrato de uma economia doente
A existência dos supersalários no Judiciário brasileiro é a prova cabal de que uma economia de mercado não pode se desenvolver de maneira saudável neste país. O absurdo começa com a conversão de verbas remuneratórias em indenizatórias, para que não se sujeitem ao teto constitucional. As indenizações são diversas, incluindo quinquênio, licença-compensatória, gratificação por exercício cumulativo, licença-prêmio, uso de veículo próprio, auxílio-creche, entre outras. É revelador que aproximadamente 1,6% do PIB brasileiro é gasto para manter o Judiciário e seus privilégios. A título de comparação, a França, em 2022, dedicou 0,2% do seu PIB ao financiamento de seu Sistema Judiciário; a Itália, 0,31%. O alto custo do Judiciário brasileiro reflete a cultura do bacharelismo, do privilégio concedido às elites burocráticas, que, supervalorizadas, crescem em arrogância e fome de poder. Quanto mais privilégios têm, mais desejam. Um abismo se revela entre a remuneração da elite burocrática brasil...